Lá está ela, sentada no parapeito da janela, como faz sempre que quer ficar sozinha, sempre que quer pensar na vida dela...
Já passou algum tempo desde que o fez... Alguns anos até. Não sabe muito bem se isso é bom ou mau. Tanto tempo sem refletir cuidadosamente o que fazia levou a que agora se sinta assim, perdida, sem rumo. Sente que está a fazer tudo bem, e ao mesmo tempo que tudo o que faz está mal.
(...)Tudo mudou desde a última vez. Ela cresceu, está com o cabelo comprido, mais bonita... Deixou o secundário, está agora na faculdade. Deixou muitos amigos para trás, conheceu outros tantos que espera que sejam para sempre, e os verdadeiros, esses nunca os esqueceu. Deixou de ser menina e passou a ser mulher. Mas tornou-se tudo tão complicado, tão complexo...
(...) Está a chover. A chuva sempre foi algo que a deixou pensativa. Mas desta vez a chuva tem outro significado. Sabem... Todos os dias dela têm um pouco de "chuva". E eu sei que ela está ali sentada, a ver a chuva cair, a pensar na cama que fez no fundo do buraco mais escuro que conseguiu encontrar, e a tentar convencer-se que essa não é a razão pela qual não tem visto o sol ultimamente... No fundo, a chuva não passa de uma saída, não passa de uma fuga de todos aqueles que a amam e se preocupam com ela... Para quê? Para se voltar a deitar na cama que fez. (...) Não é por mal. Ela ama-os, eu sei disso, apenas está perdida, assustada...
Sabem qual é o meu maior desejo neste momento? Poder entrar na cabeça dela e dizer "aproveita todos os pequenos raios de sol que aparecem no teu dia a dia para dar a volta, aproveita-os a todos, até os mais pequeninos, e vais conseguir ter sucesso. TU vais conseguir" .
Ela é forte, e sabe disso. Está neste momento a limpar as lágrimas, a descer do parapeito da janela e a pôr um sorriso nos lábios... Será que me ouviu? (...)
Espero que sim, porque no fundo ela é só uma menina assustada num mundo de gigantes, e merece ser feliz. *
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