sábado, 1 de maio de 2010

Vazio...


É um vazio. É um enorme vazio que eu sinto dentro de mim. São 10 anos de luta, 14 anos de sonhos (ou será de ilusões?) que desabam em 8 meses.

- "O que queres ser quando fores grande?" - perguntava a mamã, com um sorriso nos lábios, sabendo o que eu iria responder.
- "Médica!" - respondia eu, apenas com 3 anos. Dizia que queria ajudar as pessoas, que queria que elas ficassem boas.

- "O que vais ser quando fores grande?" - perguntava 'alguém'.
- "Vai ser médica pediatra! É o que ambiciona desde pequena!" - prontamente respondia o papá, orgulhoso por saber que era 'aquilo' que a filha tinha estabelecido como meta para o seu futuro.

É frustrante, terrível, ver como tudo se desaba num abrir e fechar de olhos. Pior que toda a frustração só mesmo uma única coisa. A tristeza que se sente por ver que a minha volta todos esperam algo de mim, todos anseiam por ver o culminar de um sonho. O que fazer? Continuar? Desistir?
Fingir que tudo está bem quando à minha volta tudo desaba... Pura e simplesmente não me parece correcto. É como se tivéssemos uma tela, inicialmente colorida, e que com o tempo fosse perdendo a cor, fosse empalidecendo, e o seu pintor ignorasse esse facto, continuando a acha-la perfeita, tal como quando a acabou de pintar. Desculpem-me, mas não é isto que eu quero da minha vida. Não quero ser uma ignorante que vive no seu mundo de fantasia, onde existem príncipes e cavalos brancos que lutam para zelar pelos interesses das suas princesas.

Por outro lado... Como é que dizemos a quem mais amamos que pura e simplesmente "acabou!"? Que um sonho de toda uma vida acaba, assim? Desiludir quem sempre teve orgulho em nós, quem sempre acreditou... Será que vale a pena fazê-lo?

Toda a nossa vida é feita de escolhas, de porquês, de decisões tomadas, de forma ponderada ou não... Somos nós quem fazemos a nossa vida, com todas as nossas atitudes. Não me venham agora com afirmações enganadoras e manipuladoras de quem acha que "nada tem a haver com o caso". Como já disse, e torno a frisar, a nossa vida somos nós que a fazemos. Para quê culpar terceiros pelo que aconteceu (ou deixou de acontecer)?
Sejamos realistas! Se não aconteceu, se não resultou, é porque assim tinha que ser! Não vale a pena virem-me agora com tretas. O que está feito, está feito, e nada podemos fazer para mudar isso.